Como todos os organismos vivos, o mar também respira. No entanto, hoje a sua respiração está longe de ser fácil: parece cada vez mais intoxicado e menos capaz de se regenerar. As razões são fáceis de entender: como poderias respirar bem quando ilhas literais de plástico e petróleo flutuam por todo o teu imenso tecido? Pode o planeta Terra alguma vez sobreviver sem os seus oceanos, amplamente danificados pela hiperprodução e desperdício humanos? A imagem icónica, captada por Justin Hoffman, de um cavalo-marinho agarrado a um cotonete em águas indonésias, ou os depósitos de lixo plástico encontrados dentro de mamíferos marinhos encalhados estão entre as vozes que encontram cada vez mais a única resposta: não podemos continuar assim.
É mais do que mera falta de ar: algo está a sufocar mais do que os ecossistemas marinhos. É a própria consciência da humanidade que está a sufocar. É por isso que, finalmente, a UE se reuniu, e no dia 19 de dezembro do ano passado
Não importa se novas pesquisas surgem com ferramentas e tecnologias para a limpeza dos oceanos, como robôs que engolem plástico ou fungos que excretam enzimas capazes de sintetizar substâncias poluentes. Não. Esta iniciativa da União Europeia visa a preservação do nosso imenso património, começando pela própria consciência de indivíduos e comunidades. Na esperança de em breve poder aproveitar o próprio mar como fonte de energia sustentável, graças ao enorme poder das suas correntes. Ou, por outras palavras, a sua respiração.
Foto de Ishan @seefromthesky no Unsplash